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ABEC entrevista Simone Santos


Simone Santos leva a voz brasileira para a Suíça

Seu vasto repertório inclui bossa-nova, samba, MPB e música de raiz brasileira

Da esquerda para direita: Gecy Marty, Simone Santos e Marcos Gonçalves. / Foto por Carol Fusteros

QUE SHOW INCRÍVEL! Simone Santos subiu pela quinta vez ao palco do concerto Águas de Março – realizado pela ABEC em 25 de março de 2017, no Coalmine em Winterthur. O trio Simone Santos (vocal e guitarra), Marcos Gonçalves (baixo) e Gecy Marty (percussão) compartilhou uma alegria contagiante e viajou pela história do Brasil ao tocar ritmos de diversas épocas e regiões do país.

1) Onde você nasceu e cresceu? Quando criança já sonhava em ser cantora?

(Risos). Esta pergunta é sempre engraçada para eu responder. Nasci no Rio de Janeiro, meu pai era marinheiro e foi transferido para Brasília quando eu tinha um ano e pouco de idade. Meus pais são nordestinos, ou seja, no café da manhã do domingo comíamos cuscuz com leite ouvindo os sambas-enredos do próximo carnaval enquanto Brasília se desenvolvia nos anos 70.

Sobre pensar em ser cantora, você não pensa em ser ou não, você nasce sendo e é muito difícil de escapar disso. Quando eu era criança, ouvia-se muita música de todos os estilos possíveis e imagináveis lá em casa. Minha primeira gravação (porque meus pais achavam bonitinho) foi Pavão Misterioso, quando eu tinha 2 anos. Eu simplesmente adorava música de todo tipo. Nas décadas de 70 e 80, muita coisa boa era tocada no rádio, de carimbó a Tom Jobim, Francis Heimer, Edu Lobo, Milton. E a menininha Simone adorava cantar tudo isto com a escova de cabelo – imaginando um microfone. Mas não havia um sonho de "ser", todo o meu ser já era música. 2) Como foi a sua decisão viver na Suíça? Que dificuldades você enfrentou como imigrante?

Eu nunca tinha pensado em vir para a Suíça. Depois da faculdade, pensei em fazer mestrado na Europa, porém algo no máximo entre Espanha e Itália. Mas como o destino toca violino... Através do relacionamento com um músico suíço, vim morar aqui. No início, a idéia não era imigrar. Havia algo parecido como "vamos ver como é isso". Por fim, chega o momento em que você percebe a quantidade de possibilidades de crescimento e começa a se lançar a ser desafiada todos os dias.

Eu sou o tipo de pessoa que gosta de desafios. Dos que eu encontrei aqui no começo, o maior foi começar do zero a falar alemão. O fato de você não conseguir se comunicar de igual para igual deixa uma lacuna intelectual absurda e isso me sacrificou bastante. Nisso vão incluídas todas as outras coisas como reposicionamento profissional, por exemplo. Aquilo que eu exercia no Brasil com profissão paralela à música (lecionar Artes e História da Arte) por aqui ficou impossível, apesar do reconhecimento do diploma e etc. Outra coisa bastante chata foi ter que enfrentar os clichês que a mulher brasileira ou latina, negra e musicista encontra logo como sinal de "boas vindas". Até as pessoas entenderem quem você é demora um pouco. 3) Conte-nos sobre a sua participação como professora na ABEC. O que a ABEC representa para você?

Como professora foi uma participação pequena, mas extremamente importante. Primeiro quando você está longe do seu país, começa a desenvolver uma espécie de espírito de conservação e mais interesse do que nunca em conhecer e divulgar as coisas boas do seu país. Fazer isto junto com as crianças multilíngues é uma experiência linda.

A ABEC como instituição representou e representa para mim a possibilidade de apresentar a cultura brasileira num espaço digno. Enquanto espaço humano, mostrou-me o quanto coragem, determinação, competência e sensibilidade fazem uma grande diferença na realização de qualquer projeto. Ver essas mulheres corajosas trabalhando e acreditando, ensinou-me a ter ainda mais coragem.

4) Como você iniciou a sua carreira musical na Suíça?

Não é muito fácil sair da sua cidade, onde você é conhecida, tem um projeto musical voltado para cultura popular brasileira e trocar tudo isso a partir do zero, com a cara e a coragem. No Brasil, eu participava de um grupo chamado Casa de Farinha, que esteve na ativa viajando todo o Brasil, tocando em grandes teatros, festivais e ganhando prêmio (Prêmio Tim 2005). Naquele momento em que eu decidi vir em 2001, minha proposta era direcionar meu trabalho para carreira solo, pesquisar outras tendências e tocar com os mais variados músicos. Chegando aqui, nos primeiros seis meses, tive que patinar no escuro. Com o tempo, fui encontrando as pessoas certas (uma delas é o Rodrigo Botter Maio, que já participou do Águas de Março), montando projetos, começando a compor, participando de gravações, enfim, encontrando o meu caminho, como eu sempre quis.

5) Quais as suas maiores influências? De onde veio a inspiração para tantos ritmos que pudemos conferir em seu show?

Minhas influências vêm de um Brasil que eu conheci antes de vir para cá. Principalmente minha memória musical, como eu falei um pouco antes, vêm de um rádio que tocava de tudo, até Hermeto Pascoal. E depois que fiquei adulta, vieram das pesquisas de música popular, que são uma paixão para mim. Canto uma música do Edu Lobo com a mesma paixão que vou cantar um canto escravo gravado pela Clementina de Jesus.

Minha inspiração vem da música sincera não comercial, vem dessa força extraordinária contida na cultura popular brasileira. 6) Como é cantar em português tendo como palco principal a Suíça?

É desafiador e ao mesmo tempo, muito gratificante. Exige de mim maior capacidade de me expressar musicalmente, já que muitas vezes o público não fala português. É contar a minha história usando outros recursos. Quando o público é brasileiro, eu tenho maior possibilidade de entendimento, o que nem sempre acontece 100%. Entre o que as pessoas esperam de mim e o que eu tenho para oferecer, às vezes existe uma distância de continentes... Aqui eu aprendi muito sobre profissionalismo.

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